A Copa Está Somente Iniciando
Como sempre acontece nessas datas, a memória me puxa pela camisa e me arrasta de volta à infância.
Eu, menino sem grandes expectativas, inventava meu próprio futebol. Catava restos de trapos que minha mãe descartava e, com aquela teimosia criativa que só criança tem, moldava minha bola de meias.
Era ela — pesada de pano, leve de sonhos — que eu chutava pelos campinhos da várzea. Cada corrida levantava poeira, cada chute levantava esperança. E não era apenas aquele amontoado de tecido que eu impulsionava, mas todas as ilusões que cabiam no meu peito pequeno.
Ali, entre traves improvisadas e gritos de gol inventados, eu jogava mais do que futebol. Jogava meus desejos de futuro, minha vontade de ser grande, minha fé de que o mundo podia caber dentro de um drible. Para aquele menino, a Copa era um portal mágico: bastava o Brasil entrar em campo para que tudo — absolutamente tudo — pudesse dar certo.
Hoje, adulto, sentado diante da televisão, percebo que aquele garoto ainda vive em mim. Ele aparece sempre que o hino toca, sempre que a bola rola, sempre que o verde e amarelo tremula na tela. Ele me lembra que, apesar do tempo, ainda sei torcer com o coração inteiro.
E enquanto respiro fundo antes do apito inicial, sinto a velha chama acender. A Copa está somente iniciando… e, dentro de mim, o menino de pés descalços já corre outra vez pela várzea.
Pra frente, Brasil — sempre.

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