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Vem novidade! Os livros de Nélson Menezes Florisbal serão lançados em E-book muito em breve.
Prepare-se para levar suas histórias favoritas para onde quiser.
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Bem‑vindo ao blog de Nélson Menezes Florisbal — um lugar para histórias simples, humanas e cheias de verdade. Aqui você encontra crônicas breves que registram momentos do cotidiano: um gesto, um ruído, um encontro, um pensamento que surge no meio da pressa. São relatos que abraçam o leitor e mostram que, mesmo nos dias mais comuns, sempre há algo digno de ser contado.
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A Taça de Vinho e o Beijo
Samantha chamava atenção por onde passava. Alta, elegante, de cabelos loiros sobre os ombros, olhos esverdeados e sorriso misterioso, tinha uma presença difícil de ignorar. Na multinacional onde atuava em Finanças e Compliance, sua beleza frequentemente se sobrepunha à percepção de sua competência. Em reuniões, recebia olhares prolongados, elogios velados e comentários que desviavam o foco de suas observações técnicas. Percebia tudo, mas preferia deixar que o profissionalismo
Nelson M. Florisbal
há 23 horas2 min de leitura
Jogo do Bicho
Esta questão de sorte e azar sempre me intrigou. Tenho o hábito de jogar na Lotofácil há muitos anos, sempre apostando nos mesmos números. Ao longo desse tempo, já fui contemplado diversas vezes com os prêmios menores e, em duas ocasiões, cheguei muito perto do prêmio principal. O valor recebido foi razoável, suficiente para alimentar ainda mais a esperança de um dia acertar tudo. Mas o que sempre me intrigou foi a maneira como esses números aparecem nos sorteios. Há números
Nelson M. Florisbal
há 2 dias2 min de leitura
O Velório
O dia amanheceu nublado naquele bairro da periferia da cidade. Quem passava pela velha casa de taipa podia enxergar, por entre a ramagem da cerca-viva, o interior da sala simples, onde repousava o caixão, ladeado por duas velas que iluminavam a parede tosca, na qual um crucifixo metálico se destacava, refletindo seu brilho. Nas cadeiras de palha enfileiradas ao redor do ataúde, parentes e amigos se revezavam enaltecendo as qualidades do falecido, fato comum nesse tipo de si
Nelson M. Florisbal
há 3 dias2 min de leitura
Salvo-Conduto
Dia desses, numa mesa de bar, reunido com antigos colegas de trabalho, entre uma cerveja gelada, petiscos e os assuntos de sempre, discutíamos política, futebol e, como não poderia faltar, as famosas bets. Foi então que um dos parceiros soltou uma observação que arrancou risos imediatos: — Essas reuniões mensais que fazemos são uma concessão da minha esposa. Segundo ela, eu preciso reservar um tempo para encontrar os amigos. A gargalhada foi geral. Alguns entenderam a ironia
Nelson M. Florisbal
há 4 dias2 min de leitura
Corneta
Ontem fui interpelado por um amigo de longa data, santista e torcedor do “Peixe”. Ele carrega na bagagem uma vantagem difícil de contestar, afinal, por muitos anos Pelé foi o maior símbolo do Santos e do futebol mundial. Mas não é sobre o Rei que quero falar. Quero falar dessas brincadeiras provocativas que os torcedores direcionam aos rivais. No futebol, criou-se o hábito de descontrair às custas da desgraça alheia, esportivamente falando. Perguntou ele: — E o teu Grêmio, va
Nelson M. Florisbal
há 5 dias2 min de leitura
Churrasco de Costela
Churrasco de costela é coisa sagrada na campanha. Basta um fogo de chão bem atiçado, uma costela no braseiro e meia dúzia de gaudérios em roda para a noite voar mais ligeiro que quero-quero assustado. No galpão, a chaleira chia na trempe, o amargo corre de mão em mão e a canha aparece de vez em quando para espantar o sereno. Num canto, o cusco baio dorme de um olho só, sempre atento a algum naco desgarrado. Sentado num cepo de guajuvira, sobre um pelego batido de uso, o p
Nelson M. Florisbal
há 6 dias2 min de leitura
O Contragolpe
Amâncio era daqueles sujeitos que pareciam ter nascido à margem da afeição alheia. Tinha admiradores, é verdade, mas eram poucos. Suas sandices, quase sempre destituídas de lógica, faziam dele alvo constante das ironias que circulavam nas rodas de conversa à beira do fogo de chão, no galpão grande da fazenda. Com o passar dos anos, aquelas zombarias foram endurecendo o homem. Não lhe roubaram a ingenuidade, mas deixaram cicatrizes invisíveis. E como acontece com tantos na vid
Nelson M. Florisbal
26 de out.2 min de leitura
Espoletas
Cresci num tempo de inocência em que tudo era possível, pois conhecíamos os limites. Brincávamos de Forte Apache. Transformávamos quintais nas vastidões do Velho Oeste, vestidos a caráter, ao melhor estilo John Wayne. Atirávamos em malfeitores, encurralávamos "comanches e apaches" e, por certo, muitas vezes saíamos feridos pelas flechas de "Touro Sentado". Morríamos muitas vezes. Ressuscitávamos sempre. Éramos crianças simplórias, portando nossos revólveres "Estrela", cujo ca
Nelson M. Florisbal
25 de out.1 min de leitura
Quebra-Queixo
Na década de 1960, foi a alegria da gurizada e uma importante fonte de renda para os dentistas. Bastava uma mordida mais entusiasmada e lá se ia um dente, uma obturação ou parte da autoestima. Ainda assim, ninguém desistia. Pelo contrário: quanto mais perigosa a bala parecia, mais fascinante ela se tornava. Naquela época, o quebra-queixo era barato, cabia no orçamento da criançada e podia ser encontrado em qualquer quitanda. Nas matinês de domingo, marcava presença no tabulei
Nelson M. Florisbal
24 de out.1 min de leitura
Carrinho de Lomba
Na adolescência, havia uma brincadeira que, para nós, valia mais do que qualquer esporte: construir carrinhos de lomba. O pátio de casa se transformava em uma verdadeira fábrica automobilística. Em meio à algazarra e marteladas, nasciam projetos audaciosos que ocupavam nossas tardes e alimentavam nossa imaginação. Entre nós havia os mais criativos, aqueles que pareciam enxergar além da madeira, dos pregos e dos “rolimãs”. Cada carrinho tinha personalidade própria, carregando
Nelson M. Florisbal
23 de out.2 min de leitura
A Máscara
Vivia gargalhando pelas calçadas da cidade. Era uma figura alta, de corpo esguio, mãos compridas e dedos que pareciam ter sido desenhados para assustar crianças. Vestia-se sempre de preto e exibia uma cartola. Não era pedinte. Sobrevivia dos pequenos favores oferecidos pelos comerciantes do mercado, talvez por generosidade, talvez por prudência. Afinal, nunca se sabe quando uma criatura daquelas pode guardar rancor. Para quem a via pela primeira vez, a impressão não era das m
Nelson M. Florisbal
22 de out.2 min de leitura
O Peste
Ele era gordo, rosto sardento, cabelos cor de fogo, calçava tênis com os cadarços sempre soltos e adorava atirar pedras nas vidraças alheias. Fora o horário em que os professores da escola tinham de suportar suas travessuras, andava pelas ruas do bairro arrumando confusão. Ora corria atrás dos gatos da vizinhança, ora surrupiava laranjas da quitanda do seu Alfredo. Um dia ganhou do pai uma bicicleta verde e amarela. Na escola, não perdoaram: — Lá vem o papagaio! Ele respondia
Nelson M. Florisbal
21 de out.2 min de leitura
Sempre a Mesma História
Não sei se é a velhice que me torna mais sensível ou se são as mudanças repentinas de rumo que a vida insiste em impor. Já escrevi mais de uma vez que sinto uma inveja desmedida desses músicos que tocam pelos bares. Nunca consegui arrancar sonoridade de instrumento algum, a não ser a batida seca e descompassada de um martelo, entortando os pregos da vida. Hoje, aqui diante do teclado, ouço o pontilhado de uma viola. É a execução primorosa de um músico a quem Deus concedeu o d
Nelson M. Florisbal
20 de out.1 min de leitura
A Ascensão
Na última década, a inteligência artificial impulsionou avanços importantes na medicina, na indústria automotiva e no setor alimentício. No entanto, novas tecnologias surgem em ritmo tão acelerado que, muitas vezes, temos dificuldade para acompanhá-las. Porém, os efeitos dessas novas tecnologias também criaram uma ordem mundial, na qual surgem castas de influenciadores, uma nova forma de atribuir significado ao conhecimento. Em meio a uma infinidade de informações, proliferam
Nelson M. Florisbal
19 de out.2 min de leitura
Eu Sempre Soube
Horácio era homem do campo. Mestiço, de poucas palavras, fumava palheiro, domava cavalos como poucos e carregava no olhar uma desconfiança antiga. Vivia recluso nas lidas da estância e, embora evitasse demonstrar sentimentos, guardava um segredo que o consumia. Numa manhã qualquer, encilhou o cavalo, ajuntou as tralhas e o pelego tubiano¹. Despediu-se dos companheiros e partiu. Levava consigo a imagem de Izadora: os olhos negros, os cabelos escorridos pelos ombros e o perfume
Nelson M. Florisbal
18 de out.1 min de leitura
A Última Fatiota
No ano de 1956, morávamos com meus tios, numa fase de transição familiar. Minha tia, irmã do meu pai, era uma mulher de beleza interiorana, carinhosa e de voz mansa. Lembro-me muito dela. Como nunca pôde ter filhos, adotou-me como se eu fosse o tão desejado herdeiro. Alguns anos mais tarde, com o nascimento do meu irmão, transferiu para ele os cuidados e o carinho que antes dedicava a mim. Meu tio era alfaiate de mão cheia. Homem de porte atlético, bonachão e sempre com feiçõ
Nelson M. Florisbal
17 de out.1 min de leitura
Por Favor, Salvem a Santinha!
Hoje acordei sem a criatividade habitual para escrever. Tenho textos prontos e inacabados, mas resolvi não os publicar. Falam de política, esporte e outros assuntos que costumam ocupar espaço demais no cotidiano. Fui até a janela do apartamento. Lá fora, o tempo estava carrancudo. Dizem que a culpa é do “El Niño”. Eu suspeito que seja outra coisa. Mas deixemos as questões existenciais para outro momento. Ontem teve Gre-Nal. Notadamente uma pelada, no sentido mais pejora
Nelson M. Florisbal
12 de out.2 min de leitura
O Espelho
Desde o primeiro ser humano, de Afrodite a Cleópatra, de Narciso aos influenciadores digitais, contemplar a própria imagem parece ser uma das atividades favoritas da humanidade. Hoje, o espelho continua exercendo essa nobre missão. Está ali, paciente, aguardando nossa chegada matinal para entregar um relatório nem sempre solicitado. Ele informa, sem a menor diplomacia, que surgiram novas rugas, que os cabelos brancos avançaram durante a madrugada e que aquela sobremesa da sem
Nelson M. Florisbal
11 de out.2 min de leitura
Cerração
No Rio Grande do Sul, a neblina resolveu adotar um nome mais elegante e misterioso: cerração. E convenhamos, combina muito mais com o personagem. Afinal, "neblina" parece algo que aparece discretamente. Já "cerração" chega ocupando tudo. Nos meses de inverno, ou naqueles dias abafados que prometem chuva e entregam indecisão, ela surge silenciosamente. Quando percebemos, ruas, campos, árvores e até o vizinho fofoqueiro da esquina desapareceram atrás de um gigantesco lençol bra
Nelson M. Florisbal
10 de out.2 min de leitura
O Gol Que Não Foi Meu
Olhando pela tela da memória, ainda vejo a cena como uma velha fotografia em preto e branco. O ginásio do SABI estava lotado, as torcidas cantavam e, na quadra, disputava-se uma partida daquelas em que perder significava voltar para casa. O jogo terminou empatado e a decisão foi para os pênaltis. Na época, um único jogador fazia toda a série de cobranças. Por algum motivo que até hoje não entendo, fui o escolhido. As cobranças seguiram equilibradas até a última. Se eu marcass
Nelson M. Florisbal
9 de out.1 min de leitura
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