Sempre a Mesma História
Não sei se é a velhice que me torna mais sensível ou se são as mudanças repentinas de rumo que a vida insiste em impor.
Já escrevi mais de uma vez que sinto uma inveja desmedida desses músicos que tocam pelos bares. Nunca consegui arrancar sonoridade de instrumento algum, a não ser a batida seca e descompassada de um martelo, entortando os pregos da vida.
Hoje, aqui diante do teclado, ouço o pontilhado de uma viola. É a execução primorosa de um músico a quem Deus concedeu o dom de encantar, com sua sonoridade, os ouvidos de qualquer alma sensível.
Enquanto escuto as milongas, viajo em pensamentos. Pelo teclado, percorro caminhos da memória e repenso tantas coisas do cotidiano. As imagens vão surgindo lentamente, uma após outra, como cenas de um filme antigo.
Então me pergunto: por que o mundo é assim?
As milongas seguem seu rumo, a tarde envelhece na janela e a vida passa sem pedir licença.
E eu, entre lembranças, dúvidas e silêncios, continuo aqui, escrevendo sempre a mesma história.
Não porque ela se repita, mas porque nunca termina.

Comentários