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Sempre a Mesma História

20 de out.
1 min de leitura

Não sei se é a velhice que me torna mais sensível ou se são as mudanças repentinas de rumo que a vida insiste em impor.


Já escrevi mais de uma vez que sinto uma inveja desmedida desses músicos que tocam pelos bares. Nunca consegui arrancar sonoridade de instrumento algum, a não ser a batida seca e descompassada de um martelo, entortando os pregos da vida.


Hoje, aqui diante do teclado, ouço o pontilhado de uma viola. É a execução primorosa de um músico a quem Deus concedeu o dom de encantar, com sua sonoridade, os ouvidos de qualquer alma sensível.


Enquanto escuto as milongas, viajo em pensamentos. Pelo teclado, percorro caminhos da memória e repenso tantas coisas do cotidiano. As imagens vão surgindo lentamente, uma após outra, como cenas de um filme antigo.


Então me pergunto: por que o mundo é assim?


As milongas seguem seu rumo, a tarde envelhece na janela e a vida passa sem pedir licença.


E eu, entre lembranças, dúvidas e silêncios, continuo aqui, escrevendo sempre a mesma história.


Não porque ela se repita, mas porque nunca termina.

 
 
 

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