A Lição Que Ninguém Aprendeu
Quando a pandemia acabou, todo mundo prometeu virar gente melhor. Durou o quê? Três semanas. Obedecemos: aplaudimos das janelas, fizemos pão, ligamos para pessoas que não lembrávamos de amar. Juramos que, quando tudo passasse, seríamos diferentes — mais gentis, mais atentos, mais humanos.
A pandemia foi um espelho enorme colocado diante de nós. Mostrou nossas fragilidades, nossos excessos, nossa incapacidade de lidar com o invisível. Mas, assim que o espelho foi retirado, fingimos que não tínhamos visto nada. É mais confortável assim.
O silêncio acabou, e com ele acabou também a memória curta que sempre nos acompanha. Bastou o primeiro sinal de normalidade para que a pressa voltasse, arrogante. No primeiro engarrafamento, já tinha motorista buzinando como se o vírus tivesse sido culpa do pedestre. As máscaras caíram, literalmente e moralmente. A empatia voltou para o mesmo lugar onde guardamos manuais de eletrodomésticos: sabemos que existe, mas ninguém procura.
Ainda assim, de vez em quando, no meio da correria, alguém segura a porta para um desconhecido, pergunta se o outro está bem, ou simplesmente respira fundo antes de responder com grosseria. Pequenos gestos que parecem restos de uma lição mal aprendida, mas não totalmente esquecida.
Talvez a humanidade não tenha aprendido a lição. Talvez nunca aprenda. Mas, quem sabe, um dia, entre um tropeço e outro, a gente finalmente entenda que não precisa de outra pausa forçada para ser um pouco melhor.

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