top of page
Buscar

A Lição Que Ninguém Aprendeu

21 de ago.
1 min de leitura

Quando a pandemia acabou, todo mundo prometeu virar gente melhor. Durou o quê? Três semanas. Obedecemos: aplaudimos das janelas, fizemos pão, ligamos para pessoas que não lembrávamos de amar. Juramos que, quando tudo passasse, seríamos diferentes — mais gentis, mais atentos, mais humanos.


A pandemia foi um espelho enorme colocado diante de nós. Mostrou nossas fragilidades, nossos excessos, nossa incapacidade de lidar com o invisível. Mas, assim que o espelho foi retirado, fingimos que não tínhamos visto nada. É mais confortável assim.


O silêncio acabou, e com ele acabou também a memória curta que sempre nos acompanha. Bastou o primeiro sinal de normalidade para que a pressa voltasse, arrogante. No primeiro engarrafamento, já tinha motorista buzinando como se o vírus tivesse sido culpa do pedestre. As máscaras caíram, literalmente e moralmente. A empatia voltou para o mesmo lugar onde guardamos manuais de eletrodomésticos: sabemos que existe, mas ninguém procura.


Ainda assim, de vez em quando, no meio da correria, alguém segura a porta para um desconhecido, pergunta se o outro está bem, ou simplesmente respira fundo antes de responder com grosseria. Pequenos gestos que parecem restos de uma lição mal aprendida, mas não totalmente esquecida.


Talvez a humanidade não tenha aprendido a lição. Talvez nunca aprenda. Mas, quem sabe, um dia, entre um tropeço e outro, a gente finalmente entenda que não precisa de outra pausa forçada para ser um pouco melhor.

 
 
 

Posts recentes

Ver tudo
O Mercado Público

Sempre que viajo, minha agenda inclui uma visita ao Mercado Público da cidade em que estou. É automático, um ato espontâneo que me leva a caminhar por entre bancas repletas de cores, sabores e aromas.

 
 
 
O Tempo Não Está Acabando

Hoje estava divagando sobre a vida e sobre tudo o que fizemos em nossa passagem por este plano. Fui tomado por uma ansiedade repentina enquanto minha mente percorria momentos vividos. Tantas alegrias,

 
 
 
Picumã (1)

A casa de madeira era pequena, com apenas duas peças: a cozinha e um cômodo adjacente que servia, ao mesmo tempo, de sala e dormitório. Nos rigorosos invernos dos campos do Sul, a família reunia-se em

 
 
 

Comentários


bottom of page