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A Roda Gigante

21 de ago.
1 min de leitura

Girando, girando, multicolorida, rasgando o espaço num giro constante que dava nó na barriga. 


Lembro como se fosse agora: os dias no parque de diversões tinham pipoca quente, algodão doce azul/rosa e tiro ao alvo. Era um mundo inteiro embalado por risadas, luzes piscando e aquela música meio desafinada que só parque de interior sabe tocar.


Mas era na roda-gigante que eu me transformava.


Ali, suspenso no alto, eu deixava de ser criança de pés descalços e virava astronauta dos meus próprios sonhos. A cada volta, o mundo diminuía lá embaixo, e eu navegava um universo inventado, infinito, onde tudo parecia possível.


E, claro, sempre tinha aquele momento em que a roda parava lá no alto. Todo mundo achava lindo, romântico, emocionante. Eu não. Eu só pensava no parafuso que o moço do macacão azul jurava ter apertado “ontem mesmo”. A fé da criança é uma coisa bonita, mas a minha confiança naquele parafuso era pura teimosia.


As luzes, as algazarras, o vento batendo no rosto…


Naquele tempo, eu era feliz sem saber.


Ou talvez soubesse — porque, lá do alto, a gente sempre enxerga melhor.

 
 
 

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