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Coincidência… ou algo mais

21 de ago.
1 min de leitura

Entre as décadas de 1940 e 1960, existiu um personagem chamado Amigo da Onça, criado pelo cartunista Péricles. Ao lembrar dessa figura, vem à mente seu humor satírico, irônico e sempre crítico — mestre em provocar aquela sensação incômoda de “será que isso foi coincidência mesmo?”


E quando observamos certos sorteios — em especial os que envolvem a disputa nacional — é difícil não perceber um sopro desse espírito irônico pairando no ar.


Clássicos regionais, rivalidades históricas, confrontos que parecem escritos por roteiristas… tudo isso alimenta a imaginação.


Tecnicamente, sorteios são eventos aleatórios.


Mas o cérebro humano não gosta de aleatoriedade pura — ele busca padrões, narrativas, explicações.


Quando o sorteio coloca frente a frente rivais tradicionais, caminhos que parecem “desenhados” para uma final específica, confrontos que inflamam audiência e mídia, a matemática vira coadjuvante e o imaginário popular assume o protagonismo.


Não é que exista fraude — é que o acaso, às vezes, tem um senso de humor peculiar.

O futebol sempre foi mais do que esporte: é drama, é paixão, é narrativa.


E quando o sorteio entrega um enredo digno de novela, o torcedor naturalmente levanta a sobrancelha. Não acusa, não afirma, não insinua — apenas reconhece que há coincidências que parecem escritas por mãos invisíveis.


E tudo bem sentir essa dúvida leve, quase lúdica.


Ela faz parte da cultura do futebol, do bar, da resenha, da mesa de boteco.


Coincidência, sorte, azar — talvez um pouco de cada.


Que ganhe quem não vacilar — porque, coincidência ou não, a dúvida continua aí, firme e forte, como sempre… bem mais presente do que a lógica.

 
 
 

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