Dia do Escritor
Hoje decidi mudar o tema da crônica. A data merece destaque: é Dia do Escritor, e não poderia deixar passar em branco algo que, de certa forma, atravessa meu caminho.
O calendário vive cheio de comemorações — santos, efemérides, homenagens históricas, lembranças afetivas e datas criadas apenas para movimentar o comércio. Algumas, porém, carregam uma ternura essencial, como o Dia das Mães. Outras celebram figuras que moldaram nossa cultura.
Entre minhas relações, tenho amigos que cultivam a palavra com talento, e escritores que admiro profundamente, daqueles que leio tudo o que publicam. Ler é hábito que trago desde a juventude. Para meus filhos, os presentes preferidos sempre foram vales‑livro; cresceram cercados de histórias, capas coloridas e personagens que atravessam gerações: Dom Quixote, O Pequeno Príncipe, os contos dos Grimm, Gulliver e tantos outros.
Nos tempos atuais, fiquei incrédulo ao ver que alguns desses clássicos vêm sendo contestados por supostos conteúdos discriminatórios: o Saci, por ter uma perna só; “Atirei o Pau no Gato”, por maltratar animais; a carrocinha que “pegou três cachorros duma vez”… e assim seguem as revisões, às vezes desconexas, de histórias que moldaram nossa imaginação.
Nesse turbilhão, há alguns meses decidi escrever. Palavras sobre o que vivi, o que vejo no cotidiano, o que penso. Aos poucos, elas foram ganhando forma e revelando um pouco de quem sou. Esse exercício diário me traz satisfação e mantém minha mente desperta.
Hoje, ao receber um recado singelo — uma única frase: “Parabéns, pelo Dia do Escritor” — sorri. E pensei: “Sou escritor? Será?”
Seja como for, deixo aqui meu desejo: Feliz Dia do Escritor a todos que possuem o dom — e a coragem — de transformar vida em palavra.

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