top of page
Buscar

Ela Voltou

21 de ago.
1 min de leitura

A enchente retorna, devastadora, deixando danos irreparáveis e enclausurando comunidades inteiras. O Sul novamente submerso, famílias ilhadas, cidades paralisadas — E nós, espectadores de uma tragédia repetida, retomamos o velho ritual: indignação, acusações, promessas, discursos.


As críticas surgem com tom de terra arrasada, como se tudo fosse culpa exclusiva da política. Sim, há omissão, negligência e falta de planejamento. Há gestores que tratam rios como ornamento e só lembram da Defesa Civil quando a água invade o gabinete. Mas reduzir tudo à incompetência pública é confortável demais — e nos absolve.


A verdade incômoda é outra: o planeta está cobrando a conta.


Nenhum órgão meteorológico controla uma atmosfera em desequilíbrio. Nenhum radar impede chuvas torrenciais. Nenhuma barragem segura a fúria de encostas desmatadas e rios estrangulados por ocupações irresponsáveis.


Seguimos repetindo o erro de tratar a natureza como inimiga, quando ela apenas responde ao que fizemos com ela. Precisamos de políticas sérias, planejamento urbano que respeite rios, reflorestamento e educação ambiental real — não slogans.


Mas também precisamos abandonar a fantasia de que é possível controlar a natureza como se fosse uma máquina com botão de desligar. Não é. Nunca foi.


A enchente volta porque o ciclo volta — e volta porque insistimos em ignorar que fazemos parte dele.


Até a próxima enchente. Porque, do jeito que estamos, ela não é possibilidade. É certeza.

 
 
 

Posts recentes

Ver tudo
O Mercado Público

Sempre que viajo, minha agenda inclui uma visita ao Mercado Público da cidade em que estou. É automático, um ato espontâneo que me leva a caminhar por entre bancas repletas de cores, sabores e aromas.

 
 
 
O Tempo Não Está Acabando

Hoje estava divagando sobre a vida e sobre tudo o que fizemos em nossa passagem por este plano. Fui tomado por uma ansiedade repentina enquanto minha mente percorria momentos vividos. Tantas alegrias,

 
 
 
Picumã (1)

A casa de madeira era pequena, com apenas duas peças: a cozinha e um cômodo adjacente que servia, ao mesmo tempo, de sala e dormitório. Nos rigorosos invernos dos campos do Sul, a família reunia-se em

 
 
 

Comentários


bottom of page