top of page
Buscar

Entre a Razão e o Coração

24 de ago.
2 min de leitura

 

Neste final de semana, me juntei à desesperança dos amigos — ao ar pesado que paira sobre o futebol gaúcho — e às arquibancadas já vazias, onde Grêmio e Inter atravessam o Brasileirão como quem caminha sobre um fio esticado entre o abismo e a crença de que ainda é possível.

A razão, essa velha conselheira, tenta sussurrar ao torcedor que o campeonato é longo, que matemática existe, que ainda há rodadas suficientes para corrigir rumos, reorganizar esquemas, reencontrar o futebol que se perdeu em algum lugar entre lesões, escolhas equivocadas e noites mal dormidas. Ela calcula, projeta, desenha cenários: “Se ganhar dois, empata um, torce por tropeço alheio…”. A razão é paciente, metódica, quase fria.

Mas o coração — ah, o coração — esse não sabe esperar. Ele pulsa em vermelho e azul, exige reação imediata, cobra raça, entrega, mudança. Ele não entende por que o Grêmio sofre para sair da zona da confusão, por que o Inter tropeça quando mais precisa caminhar firme. Ele quer vitória ontem, recuperação agora, alegria urgente. O coração não aceita justificativas, não negocia com a tabela, não conversa com estatísticas.

E assim, o torcedor vive esse duelo íntimo. De um lado, a lógica dizendo que ainda dá. Do outro, o sentimento gritando que não aguenta mais. Cada rodada vira um capítulo dramático: o Grêmio tentando escapar do sufoco, o Inter lutando para não se perder no próprio labirinto. Dois gigantes que, por ironia do destino, caminham juntos na dificuldade, como se o futebol gaúcho tivesse decidido testar a resistência emocional de quem o acompanha.

No fim, talvez o verdadeiro aprendizado esteja justamente aí: entender que torcer é viver nesse diálogo permanente entre razão e coração. Saber quando respirar fundo e quando gritar, quando esperar e quando exigir. Porque, no futebol — como na vida — nenhum dos dois pode ser ignorado.

E é nessa mistura de cálculo e paixão que o torcedor segue escrevendo sua história, rodada após rodada, acreditando que, apesar de tudo, ainda há espaço para virada, reconstrução e, quem sabe, redenção.

 
 
 

Posts recentes

Ver tudo
O Mercado Público

Sempre que viajo, minha agenda inclui uma visita ao Mercado Público da cidade em que estou. É automático, um ato espontâneo que me leva a caminhar por entre bancas repletas de cores, sabores e aromas.

 
 
 
O Tempo Não Está Acabando

Hoje estava divagando sobre a vida e sobre tudo o que fizemos em nossa passagem por este plano. Fui tomado por uma ansiedade repentina enquanto minha mente percorria momentos vividos. Tantas alegrias,

 
 
 
Picumã (1)

A casa de madeira era pequena, com apenas duas peças: a cozinha e um cômodo adjacente que servia, ao mesmo tempo, de sala e dormitório. Nos rigorosos invernos dos campos do Sul, a família reunia-se em

 
 
 

Comentários


bottom of page