Maratona na Cidade
Sempre tive o desejo de presenciar, in loco, uma Olimpíada. Ver atletas superando limites, conquistando medalhas, desde o sincronismo impecável da ginástica até a exaustão heroica de uma maratona. Equipes inteiras, coordenadas, subindo ao pódio como se dançassem em perfeita harmonia.
Mas a verdade é que a Olimpíada que eu realmente vivo acontece todos os dias, pelas ruas da minha cidade. Uma competição silenciosa, sem torcida, sem medalhas, mas repleta de obstáculos que, às vezes, me fazem desanimar.
As avenidas são um desfile de tampas de ferro mal colocadas, verdadeiras armadilhas prontas para destruir pneus, torcer tornozelos e testar a paciência de qualquer cidadão. Buracos, desníveis, bueiros abertos — obstáculos dignos de uma prova de resistência, mas sem o encanto esportivo, onde o prêmio é simplesmente chegar ao destino sem tropeçar.
Pago religiosamente meus impostos e, em troca, recebo o desinteresse das sucessivas administrações municipais, que jamais se preocuparam em resolver questões básicas do bem-estar coletivo. As empresas terceirizadas deitam e rolam no descumprimento dos contratos: cobram caro, entregam pouco e, muitas vezes, nada. O resultado é visível — estruturas públicas deterioradas, serviços que não valem o investimento e um cotidiano que exige do cidadão mais preparo físico do que boa vontade.
E assim seguimos, nessa maratona de tampas, buracos e bueiros, sobrevivendo dia após dia, em busca da tão sonhada medalha que, no fundo, é apenas o direito de viver numa cidade que respeite quem nela vive.

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