Meu Sogro
Às vezes a vida nos cutuca com aquela saudade mansa — aquela que não dói, mas ocupa espaço. Hoje, sentado diante do teclado, revisitando e‑mails, posts e “otras cositas más”, tropecei numa foto antiga. Nela, meu sogro, minha sogra e os dois primeiros filhos, ainda pequenos. Uma imagem simples, despretensiosa, mas carregada de significado e ternura.
De repente, estou de volta aos domingos de churrasco, à churrasqueira de tijolos que mais parecia uma pirâmide. A conversa corria solta entre uma caipirinha e algumas cervejas. Não havia pandemia, não havia fakes — só o prazer das risadas e da convivência.
Meu sogro… eu gostava muito dele. Era um homem de poucas palavras, mas dizia tanto no silêncio. Seu jeito era um convite à simplicidade. Hoje, ao lembrá-lo, percebo que foi ali, naquele convívio tranquilo, naquele quintal cheio de fumaça e afeto, que uma nova fase da minha vida começou.
Ele se foi, mas deixou o essencial: a certeza de que a felicidade mora nos vínculos que construímos.
Enquanto esteve aqui, fomos amigos. Fomos felizes. E isso, no fim, é o que mais importa: família.

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