O Economista
Economia é uma palavra antiga, nascida lá na Grécia de Aristóteles: oikonomía: oikos, casa; nomos, administração. No começo, tratava da arte de gerir os bens da família ou da pólis. Hoje, virou ciência, profissão, campo de estudo — mas também virou folclore. Porque, convenhamos, economia não vive só nos livros: vive nas pessoas.
Tenho amigos economistas, profissionais brilhantes, dedicados, daqueles que enxergam números onde eu só vejo caos. Mas também tenho amigos “econômicos”. Não no sentido acadêmico — no sentido popular mesmo: canguinhas, pão-duro, mão de vaca, sovinas, avarentos, unha de fome. O dicionário inteiro cabe neles. E, claro, estão sempre presentes: nos churrascos, nas festas, nos encontros. São personagens fixos, quase patrimônio imaterial da amizade.
Lembro de um episódio com a nitidez de quem revive a cena. Estávamos em um congresso da minha área profissional, e na hora do almoço fomos todos a um restaurante daqueles pé sujo de beira de praia, onde a comida é boa justamente porque ninguém tenta ser sofisticado. No meio da degustação dos pratos regionais, chega o amigo — recém pousado, mala na mão, sorriso no rosto.
Saúda a turma e anuncia, com solenidade:
“Não vou almoçar, já comi no voo. Estou satisfeito.”
Encostado na janela do boteco, ele fica do lado de fora.
Nós, do lado de dentro, atacamos camarões fritos, bolinhos, cervejas.
Ele, lá fora, belisca tudo: um camarão aqui, outro ali; uma cerveja, duas cervejas… sempre de soslaio, como quem acredita que a física financeira funciona diferente quando se está do lado externo da janela.
Encerrada a comilança, chega o momento mais temido por esse tipo de personagem: o acerto da conta. Soma dos presentes, “divisão igualitária” — fórmula que, embora se apresente como um procedimento técnico, carrega um belo pacote ideológico ao pressupor um certo ideal de justiça. E nessa matemática, claro, entra também o nosso amigo da janela.
Ele tentou se esquivar, fez cara de paisagem, ensaiou o clássico “não almocei”, não adiantou. Afinal, economia também é isso: encontrar a melhor forma de usar recursos escassos para garantir o bem-estar coletivo. E naquele momento, o bem-estar coletivo era não subsidiar o camarão alheio.
Toda essa história serve apenas como cenário. O que verdadeiramente importa nesta crônica é celebrar aquele que a inspira: Beto — Economista.

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