Para Minha Namorada
Há amores que não se explicam — apenas se reconhecem, como quem reencontra um velho caminho. A vida, com suas curvas e desvios, parece brincar de esconder o destino. Um dia, sem aviso, coloca diante de nós alguém que se torna presença. E, quando percebemos, já não sabemos onde termina o acaso e começa o sentido.
O amor, descobri, não é feito de promessas nem de grandes gestos. É tecido no cotidiano, nas conversas interrompidas, nos silêncios compartilhados. É o olhar que entende sem precisar de palavras, o toque que acalma sem exigir resposta. Com o tempo, ele deixa de ser fogo e se torna brasa — constante, discreta, mas capaz de aquecer até os dias mais frios.
Talvez seja isso que chamamos de permanência. Não a insistência cega, mas a escolha consciente de ficar. Ficar quando seria mais fácil partir, quando o novo parece mais leve. Ficar porque há algo ali que transcende o instante — uma história, uma cumplicidade, uma paz que só se encontra depois de muitas tempestades.
Quando escolho permanecer, não é por hábito — é por reconhecer que, entre todas as possibilidades do mundo, é ao seu lado que a vida faz mais sentido. E talvez seja essa a maior sabedoria que o tempo nos oferece: entender que o amor verdadeiro não é o que promete eternidade, mas o que se renova a cada dia, como se fosse sempre a primeira vez.

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