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Símbolos Fora do Lugar

21 de ago.
1 min de leitura

Outro dia, caminhando pela rua, reparei numa bandeira do Brasil pendurada na sacada de um prédio. Estava ali, meio desbotada, balançando preguiçosa no vento, como quem já viu demais e não se surpreende com mais nada. Pensei que, coitada, talvez estivesse cansada de ser convocada para tudo: protesto, jogo, briga, festa, campanha, churrasco, desabafo.


Lembrei do hino também. Aquele que a gente cantava na escola, meio sem entender o que era “lábaro estrelado”, mas cantava. Hoje, o hino aparece em vídeos de internet, remixado, acelerado, usado como trilha sonora para discursos inflamados ou para dancinhas de 15 segundos.


E o brasão? Esse então virou figurante. Aparece perdido em repartições públicas, em documentos que ninguém lê e em capas de cadernos escolares que ninguém guarda. Um símbolo que pede respeito, mas recebe olhares apressados, como quem passa por um velho conhecido na rua e finge que não viu.


No fim das contas, os símbolos nacionais continuam lá, firmes, tentando lembrar que pertencem a todos — não a quem grita mais alto. Mas nós, ocupados demais em discutir quem “tem mais direito” sobre eles, acabamos esquecendo que símbolo não é propriedade — é memória. E memória, quando maltratada, desbota.

 
 
 

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